"Não busquemos o caminho de volta à situação colonial.
Guardemo-nos das proteções internacionais.
Acautelemo-nos das invasões econômicas.
Vigiemo-nos das potências absorventes e das raças expansionistas.
Não nos temamos tanto dos grandes impérios já saciados, quanto dos ansiosos por se
fazerem tais à custa dos povos indefesos e mal governados.
Tenhamos sentido dos ventos que sopram de certos quadrantes do céu.
O Brasil é a mais cobiçável das presas; e, oferecida como está, incauta, ingênua,
inerme a todas as ambições, tem, de sobejo, com que fartar duas ou três das mais
formidáveis.
Mas o que lhe importa é que dê começo a governar-se a si mesmo; porquanto nenhum
dos árbitros da paz e da guerra leva em conta uma nacionalidade adormecida e
anemizada na tutela perpétua de governos, que não escolhe.
Um povo dependente do seu próprio território e nele mesmo sujeito ao domínio
de senhores não pode almejar seriamente manter a sua independência para com
o estrangeiro.
Eia, senhores!
Mocidade viril!
Inteligência brasileira!
Nobre nação explorada!
Brasil de ontem e de amanhã!
Dai-nos o de hoje, que nos falta!
RUI BARBOSA
Oração aos Moços
Discurso de Paraninfo
Aos Bacharelandos de 1920 da Faculdade de Direito de São Paulo
29 de março de 1921